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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Wills Wing, a encantadora fábrica californiana de asas-deltas que ultrapassou todos os momentos do voo-livre


"Building Dreams" é um lindo vídeo sobre o vôo-livre de asa-delta que conta a história da fábrica Californiana de Asas "Wills Wing". Como protagonista principal está o simpático presidente e engenheiro de design, Steve Pearson que tivemos o prazer de conhecer pessoalmente em nossa visita à fábrica em 2011. 

No filme, Steve compartilha sua paixão pelas asas-deltas a seus pensamentos sobre o desenho dessas máquinas voadoras que ele descreve com o equipamento que consegue deixar o ser humano mais próximo da sensação de voar vivida pelos pássaros.

A Wills Wing é uma das poucas fábricas de asa que passou por todos os momentos do vôo livre, desde a década de 70 até os tempos atuais. É a fábrica mais automatizada do mercado e provavelmente uma das maiores.

Confira o vídeo e curta com com o volume alto!



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Novo RECORDE Brasileiro e Sul Americano de Asa-delta com Andre Wolf voando em casa

André Wolf pousou há poucos minutos na Argentina, após decolar do Brasil, na cidade gaúcha de Caçapava do Sul, RS.


Ilustração do trajeto feito pelo piloto.



Decolou às 11h da manhã (horário de verão, ou seja, 10h do horário solar) e voou por 9h30min os 495Km em linha reta, entrando sobre os Pampas Gaúchos e cruzando a fronteira com a Argentina.

Pousou próximo da cidade Argentina de "Mercedes".

É o novo recorde brasileiro e sul-americano de distância livre de asa-delta, conquistado por este gaúcho no próprio "quintal" de casa.

O recorde anterior também era dele, decolando de Quixadá, no Ceará, onde voou cerca de 455Km.


Dados técnicos:

Decolagem: Caçapava do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil às 11h do dia 26 jan 2012 (hor. brasileiro de verão)
Coordenada da decolagem: -30.61794 , -53.38785
Pouso: Próximo à cidade de Mercedes, na província de Corrientes, Argentina às 20:30h (hor. brasileiro de verão)
Coordenada do pouso: -29.11821 , -58.21207
Tempo de voo: 9h 30min
Distância em linha reta percorrida: 495 Km


Parabéns André por esta conquista espetacular de hoje que eleva mais uma vez o nível de nosso esporte.

E parabéns para o super-resgate gente boa, chamado "Escova", que já estava estacionado na estrada argentina quando o André pousou.

Um abraço dos Vils Brothers.


  

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Voo rebocado por lancha


Nenê Rotor está fazendo um trabalho bem bacana de voo rebocado nas represas perto de Atibaia SP.

Olhem que legal este vídeo do Michael voando rebocado.

RotorWaterTow from Michal Cipra on Vimeo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Nada recomendado, mas belos vídeo de um dinossauro autraliano!

Nestes vídeos, um momorável piloto australiano, Tim Travers, faz alguns vôos nada recomendados nos anos 80.




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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Francis Rogallo, bom voo e obrigado!

Francis Rogallo partiu para seu "último vôo" esta semana (1-set-2009), aos 97 anos.

Morreu o inventor da asa-delta e a ele só temos que agradecer.

Bom voo, e que as termais te acompanhem!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Brasilia 2009: Segunda-feira 17 ago


Pedro Matos decolando com sua Litespeed RS4 Full Carbon zerada



Pedrão e Claudão estão de volta!

A rampa no Vale do Paranã está lotada todos os dias e o destaque para os irmãos e pilotos Pedro Matos e Cláudio Matos (Pedrão e Claudão da High Level) que estão de volta após vários anos afastados do vôo-livre.

Pedrão já chegou com tudo. Está entre os 4 melhores brasileiros nestes 2 primeiros dias de competição, mesmo afastado do vôo há alguns anos.

O clima deste campeonato Brasileiro está demais. Voos fortes, muitos pilotos e animação!






terça-feira, 28 de abril de 2009

FAI cria a medalha "Pepê Lopes" para quem ajuda outro piloto em perigo

Lucas Machado nos trás esta informação bacana.


Steve Blenkinsop é o piloto australiano de asa que pousou em cima das árvores para ajudar o Pepê, por ocasião de seu acidente fatal no Japão em abril de 91. Steve estava em primeiro no geral e marcava o Pepê, que vinha da sétima posição e já ocupava o segundo lugar na que seria a última prova de um campeonato que oferecia 100 mil dólares ao vencedor.

Pensando no aniversário de 18 anos da morte do Pepê, entrei em contato com o Steve, quando fui informado que ele participaria do Mundial de asa na França em junho próximo. Ele então mandou este vídeo feito por ele naquele dia fatídico.

Em 1992 a FAI (Órgão máximo mundial que regula o vôo de asa, parapente, planador etc.) instituiu a medalha de honra "Pepe Lopes", conferida àqueles que se arriscam na tentativa de ajudar um companheiro acidentado. O primeiro ganhador desta medalha foi Steve Blenkinsop. Desde então, apenas outros 4 pilotos mereceram esta honraria. Este ano ela deve ser dada ao austríaco Heli Eichholzer, que pousou na encosta rotorizada do famigerado pedroco El Peñon, na tentativa de salvar a vida do jovem Stefan Schmoker.

Pedro Paulo Lopes, nosso Pepê, vive em seus amigos, familiares e admiradores mundo afora.

Abs,

Lucas Machado


De: Steve Blenkinsop

Enviada em: segunda-feira, 27 de abril de 2009 09:11

Hi Lucas,

Thanks for your thoughts. I often get a flashback of flying with Pepe. I also often wonder if we could have done more for him. It was an honour to be with him in that last couple of hours. He was a great guy.

I don't know if you ever saw the video of the Shima Seiki competition. Here is a bit of video (sorry about the quality) from a camera that was on my glider.

I am really enjoying the challenge of getting back into top level flying and am looking forward to the worlds.

  

Ciao Steve B

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Geraldo Nobre: O novo recorde de distância partindo de São Conrado RJ e pousando em Minas Gerais

Relato do grande Dinossauro Geraldo Nobre no vôo de ontem. Ele decolou da rampa da Pedra Bonita na praia de São Conrado/RJ e pousou próximo de Juiz de Fora em Minas Gerais, estabelencendo o novo recorde da rampa de São Conrado.

Foram mais de 150Km de vôo. Veja o tracklog.



Meus Caros Companheiros Alados,
Valeu!!!
Obrigado por tantos elogios, sonhos e dores de cotovelo enviadas.
É gratificante receber tantos incentivos e ver que estou incentivando a todos a voarem cada vez mais e melhor.
Valeu, Nader, Otávio, Glauco, Milton, Valença, Zé Over, Erick, Thiago Salame, Fabiano Ribeiro, Raphael, João Machado, Luisinho e tantos outros que tem o Vôo Livre na veia e que sempre sonham em estar nestes vôos.
Valeu pela companhia de vocês no Vôo Livre e pela amizade embutida nas mensagens.
Agora vamos ao que todo mundo quer saber, o vôo de ontem.
Posso dizer de ante-mão que foi um dos vôos mais complicados de minha vida, principalmente na metade do caminho depois que subi a Serra das Araras.
Ele começou no dia anterior quando, indo a rampa de São Conrado e vendo o Nordestão entrar, limpando o tempo que estava embassado a vários dias, tomei a decisão de não voar e descansar para o dia seguinte quando fatalmente a condição estaria mais redonda e deveria permitir um vôo de XC.
Com Nordestão, se vai ao Cristo, se ganha a Gávea facilmente mas, essencialmente é um vôo onde se briga para descer e não para subir.
E se queria partir para o Cross não era o dia certo e não valia a pena me desgastar.
A decisão foi correta.
5a feira - SEM LEI - amanheceu próximo do perfeito, o teto estava um pouco baixo mas o azul e as formações prometiam.
Parti às 9:00h para São Conrado e a primeira dificuldade do dia apareceu: um baita engarrafamento e mais de 40 minutos da Barra para S.Conrado.
Todo mundo indo para o trabalho e me atrapalhando ir voar já era o suficiente para instigar o nervosismo pelo vôo.
Chego na praia e vejo a turma toda nos agitos de subir.
Todo mundo percebeu que o dia era bom e chutamos o balde do trabalho como um bando de aves que parte para o Sul.
Para melhorar, reunião na AVLRJ e rampa fechada para os duplos.
Que perfeição, 20 asas top de linha alinhadas para partirmos.
10:40h - Saquarema abre os trabalhos, decola, engata, vai para o rotor e estampa no céu.
É o corre corre geral.
- `Vambora` que a farofa começou.
A maldade de fazer uma distância para fora de S.Conrado e ganhar alguns pontinhos a mais no XC Rio estava estampada na cara de quase todos.
Dinos, Danoninhos e Dentes de Leite planejando a fuga em massa de São Conrado.
Táticas e técnicas que estavam na cabeça de cada um apareciam nas faces dos degladiadores do dia.
Partimos.......
Um batalhão desesperado para chegar no Cristo.
No rotor, um canhão redondo que já levava a mais de 1.000m.
Alguns foram para o Croc, contorna-lo, e a maioria já partiu direto por dentro do alto da boa vista para o queimadinho, tamanha era a certeza da boa condição.
Chegamos nas antenas e boom outro pontapé para cima.
- Ainda não esta redondo, vamos mais para frente;
Na torre de alta tensão antes da última cruzada para o Cristo outro pontapé prá lua;
- Vamos, vamos, na frente tá melhor;
E o Sadia que estava puxando o trem chegou no Cristo e catapum, subiu que nem foguete.
- Pica, anda, sai do buraco que a de lá é a melhor do pedaço !!!
E era, um canhão redondo que levava a mais de 1.200m e permitia curtir o visual do Rio de Janeiro inteiro.
Olhava prá trás e lá vinha uma fila de ferozes caças ninja na direção da termal que pegamos.
Cada um que chegava, engatava e estampava.
Prá galera que estava no Corcovado deveriamos parecer um bando de mosquitinhos infernizando a vida do Senhor de Braços Abertos.
- E agora ?
Bom, a tática inicial de todos estava cumprida.
Ir ao Cristo antes da tirada para acumular uns pontos e esperar a condição arredondar.
Ainda não era hora de partir para o Cross, tinha que esperar a condição formar no caminho.
Voltei para as antenas e vamos cozinhar o galo um pouco para ver qual o melhor caminho para o pico.
E qual não foi a minha surpresa quando a galera continuou sem parar e zoom voltaram para a concha de São Conrado e alguns já jogaram para o pico do Papagaio e partiram.
- Xiiiii....
- Acho que fiquei prá trás !
- Mas, tá muito cedo !
A tirada direto das antenas para o Pico da Tijuca está com uma descendente só e chegar lá baixo é um tiro no escuro.
Teto de 1.200m é bom para o vôo local mas para tirar ainda é baixo.
Vamos voltar para aquela térmica do rotor e corujar como está a condição lá no Pico do Papagaio.
Engatado na núvem em cima do Croc fui derivando para o Alto da Boa Vista e vendo alguns ralando na cordilheira do Pico e outros já indo embora.
- Este teto tá baixo !
- Com 1.200m não dá para cruzar para a Pedra Branca e engatar na condição de lá.
- Tenho que arrumar outra saída.
Tô chegando na região do Pico e encontro o Carlos Augusto e o Giovanni batalhando por lá.
Procura, cata, e acha o miolo que estava bem no meio da Floresta da Tijuca.
E lá vamos nós, núvem.
- Agora é nossa vez de tirarmos !
- Nada de proa Jacarepaguá que vai pousar lá pelo Rio 2.
Então, proa Campo dos Afonsos, ciscando na região do pedágio da Linha Amarela que o vento de Nordeste mostrava uma formação por lá.
Olho para trás e arrumei um fiel escudeiro.
Giovanni partiu na minha cola.
- Beleza, em dupla é melhor para ciscar e tem o conforto da companhia em vôo.
Dito e feito, chegamos perto do pedágio e boom....., um canhão forte e redondo nos leva de volta à núvem.
Emburacados miramos o Campo dos Afonsos e o pouso por lá ou pelo outro lado da Av.Brasil, no campo de polo, já estava mais do que garantido.
Seguimos e só cidade em baixo .............. e nada de achar a seguinte.
Passamos por Bangú e nada.
- Acho que vamos merrecar por aqui, pensei.
Meu escudeiro vai mais para cima da cidade e eu mais para o gericinó.
Ele achou os pipocos de uma salvadora.
Juntamos e a térmica falhada corria de Nordeste.
Era derivar com ela ou procurar pouso.
Meu amigo não teve a paciência necessária, correu mais para a frente e garantiu o pouso no Aeroclube de Bangú.
Minha insistência me levou a engatar redondo em cima do pouso dele e pegar a condição da Serra do Vulcão por trás.
Segui subindo e derivando até quase o Pico do Marapicu.
Emburacado de novo, partir para dentro da região do vôo de N.Iguaçú.
Tomando como proa Japeri, onde as formações no caminho me mostravam vários cúmulus.
Ir para Seropédica também teria sido uma boa Opção.
Ali o vôo é tranquilo.
Grande pastos, áreas planas e térmicas redondas apesar de intensidade fraca e teimando em permacer em torno dos 1.200 a 1.300m o que é muito baixo para a região.
Mas, relaxei e procurei curtir o vôo e chegar na próxima, que estava perto da Via Dutra, depois de Queimados.
Engatei, subindo, falhado e decidi seguir para a próxima.
Boa decisão engatei melhor e núvem de novo.
Japeri cresceu na minha frente e parecia a melhor direção.
Passei pela cidade e corri para a região da rampa de lá.
Cheguei estava fraco e a minha altura era de quem tinha acabado de decolar e ganhado um pouco.
- É...., pensei, estou decolando de Japeri para fazer um vôo.
- São 13:00h e o meu vôo está começando agora.
- Vamos ficar na pedreira e esperar a condição chegar aqui.
Esperei a núvem chegar perto e engatei no canhão.
1.400m !
E agora a decisão: volto para N.Iguaçú que o caminho está bom ou tento seguir para o meio do nada nas montanhas ?
- Teto baixo....... e você já voou ali........ a região é só de morrinhos, florestas, rotor e cruel de pousos..............
- Volta que o vôo vai ser mais visual e mais tranquilo.
- Que nada, vamos lá que a formação tá bonita.
Engatado no teto passo de Japeri para Paracambi e parto na direção entre Barra do Piraí e Valença.
A coceira do Cross fala mais alto que a sensatez.
A faixa de vôo encolhe, o teto de 1.300 a 1.400m e o piso sobe pelo menos 600m, com morrinhos a 800m.
Sobram poucos metros para as tiradas.
Não podem ser longas, tenho que partir direto para a mais perto e engatar senão é chão.
Chapar no meio dos morrinhos do planalto de Paulo de Frontim não é nada agradável.
Com as pernas tremendo chego na próxima já naquela de olhar o melhor morrinho para chapar.
Mas, ufa, sinto a térmica cisalhada pipocar e engato derivando para sair da primeira roubada.
- Pronto a pior parte já passou.....
Olho para frente e que nada, teto baixo e mais morrinhos mas, pelo menos tem formações ao alcançe.
Cruzo para a serrinha e engato na condição de novo.
Agora outra decisão crucial.
O vento está acompanhando um pouco o relevo mais para Sudeste em baixo e mais Nordeste em cima.
Sigo no Nordeste ?
Acho que não, a possibilidade de alcançar a próxima se mudar a rota uns 45º vai melhorar.
- É isso aí, tem umas formações lá na frente, depois do rio.
- E dá prá chegar lá.
Sai da linha de sustentação e para a cruzada só pego pequenos rotores e vento de través.
Cruzo o rio, chego no que parecia bom e a formação já tinha passado.
Corro a pequena cordilheira, olho para os pastos lá no final e ....
- Vamos é esticar o L/D para chegar no pasto perto da estrada.
Pri...Pri....
Sobe, desce, abre o cinto....
Calcula a aproximação para o pasto mais próximo.
- Mas, vamos insistir.
- Se não ganhar pouso aqui mesmo.
- Ando mais mas, vale a pena tentar.
- A falhada tá forte.
E, tchan, tchan, tchan....
Nasce o caroço.....
- Agora não largo ela mais mais.
- Fecha o cinto....
Derivo para dentro das montanhas mas subo com tudo...
- ÔOoooooba !!!
- Tô voltando pró vôo.
- E daqui prá frente tá formando um cloud street.
- Capricha, arredonda.
- Paciência, espera chegar na núvem.
- Que nada, ele tá logo ali no próximo contra-forte.
- Tirei....
- IIIIIIiiiiiii, acho que devia ter ficado mais, vou chegar lá no limite.
- Cheguei.
- Nãooooooo, ela não tá aqui.
- Tá lá no fundo daquele vale, sem pouso, só chapadas.
Na batida do vôo, de sangue quente, sigo em frente.
Chego no fundo do vale no limite da altura.
Não dá prá pular o morro.
Cisco e nada.
Porrada prá cá, porrada prá lá e .....
- Porra, seu babaca, você tá no pé do cloud street e jogou o vôo fora....
- Caral...o, endureceu e despencou da falhada.
- Qual o menos pior morrinho da rotorzeira deste valezinho estreito e safado ?
Tome porrada.....
- Contorna a pedra da direita, volta e pica para chapar de volta naquele meio pasto, pensei....
Fui e priii..iiiii...iiiii
-Voltaaaaaaaaa.
Priiii.iiiii..iiiii
- Enroscaaaaaaa..
- Força nos braços seus babaca.
- Beleza, engatei forte.
- Não relaxa não.....
- ah.ahah.ah..ah.aa.a.a....., lá vou eu de novo.
Começo a ganhar a serra e atrás do morro aparece a cidade de Valença.
- Ufa!!!!
- Aprendeu seu trouxa!
- A térmica tá boa mas o teto tá baixo.
- Tem que ganhar bem e tirar para a mais próxima com certeza de chegar.
- Ok, ok, ok....
- Relaxa, tô ganhadão e olha o cloud street na frente.
- Vamos lá que agora é só alegria.
Aí o vôo virou alegria um cloud que me fez andar bem, passar por Rio das Flores e continuar navegando pela pequena cordilheira abaixo.
Chego no final e parto para a esquerda para novas montanhas ou vou naquela lá na frente na curva do rio com a montanha do meio.
Vamos lá naquela que tem um pasto enorrrrrrmmeeee na beira do rio e um povoado do lado.
- Beleza, que visual ....
- Tô no meio do mundo, sozinho e estampadão no céu...........
Vou seguindo tranquilo, tranquilo e chego na formação na média altura e o vario começa a cantar de novo.
Arredondo.
Térmica suave e ...
- Rapaz agora que saí da roubada e que aparecem estes urubús para azarar a minha térmica.
- Sai daí neguinho.......
- É, tá bonito mas tá acabando.
- Olha o buraco azul prá frente.
- A próxima formação tá lá prá Juiz de Fora.
- Não dá prá chegar.
- Só se engatar naqueles pedrocos no meio do caminho.
- É, mas eles já estão esfarelados.
- Mas é o caminho mais seguro para este final de vôo.
- IIIIiiiii, não vai dar prá chegar encima deles.
- Vamos entrar pelo vale a dentro, ciscar lá e voltar para aqueles maravilhosos pastos lá no fundo...
No meio do vale aquela de final de tarde, fraca, suave e que também não rende muito.
Ganho o suficiente para olhar para o outro lado e penso vamos esticar por cima na direção daquela cidadezinha (Belmiro Braga).
Outra decisão meio tola.
Chego na montanha no limite.
Cruzo e caio no rotor.
Cruzo rente por umas florestinhas e quando de repente atrás do morro aparece, imaginem, um imenso campo de polo, isto mesmo, polo, todo plano com a grama recém aparada.
- Chega, é aqui mesmo.
Aproximo.
Entro picado e como ele estava no rotor, catabummm
Um sonoro chrash para encerrar a aventura.
O gerente da fazenda e dois ajudantes estavam ali e incrédulos não sabiam o que dizer ainda mais quando disse que vinha de São Conrado !
Fazenda Paraíso !
Para surpresa minha, de Armando Klabin, tio do nosso saudoso amigo Maurício Klabin.
Desmonto a asa e vamos prá cidade esperar o resgate que chega às 22:00h.
Antes ligo para os amigos e o alvoroço na praia e na internet vocês já sabem.
Brigaduuuuuu......
Geraldo Nobre

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

John Heiney: Decolou de balão, helicóptero e fez muuuuitos loopings

John Heiney é um dinossauro do vôo e em seu site muitas fotos e vídeos interessantes podem ser encontrados.

Já decolou de balão, helicópteros e fez muitos loopings.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Entrevista com Mike Barber

Nosso amigo de vôo e piloto aqui do Rio, Mathias Fulda, fez esta excelente entrevista com o Mike Barber.

São vários tópicos envolvendo XC, competição, equipamento, técnica entre outros assuntos. Pra terminar com chave de ouro, Mike comenta sobre pilotos da equipe brasileira e sobre um vôo inesquecível entre Sobral e Camocim que ele fez em 2003 junto com o Chico Santos.

Infelizmente a entrevista está em inglês, sem legendas, mas o Mike fala um inglês manso, então dá pra captar a mensagem.


Links:

Hang Gliding Interview with Mike Barber - Part 1/4

http://br.youtube.com/watch?v=TBBcU_b-Xlg

Hang Gliding Interview with Mike Barber - Part 2/4

http://br.youtube.com/watch?v=NClx_UTDm2U

Hang Gliding Interview with Mike Barber - Part 3/4

http://br.youtube.com/watch?v=tj1Z_BI5OXs

Hang Gliding Interview with Mike Barber - Part 4/4

http://br.youtube.com/watch?v=Guwuxyttd5w

Agradecimentos especiais ao Mathias e ao próprio Mike Barber.

sábado, 8 de dezembro de 2007

Resumo da palestra do Mike Barber, recordista mundial de distância livre

O americano Mike Barber é o humano que voou mais longe com uma asa-delta, decolando do Texas EUA e percorrendo em linha reta 707 Km em mais de 10h de vôo.

Ele gentilmente fez uma palestra para os cariocas na FGV-Barra no dia 29/nov/2007 e deu várias técnicas sobre como voar longe, como resistir ao cansaço, preparação etc.

Segue abaixo o resumo da palestra que foi traduzido pelo Glauco Cavalcanti e transcrito pelo Valença:



  • A Preparação é fundamental;
  • O vôo de longa distância é um jogo em que apostamos com a condição;
  • Às vezes o objetivo diverge do melhor trajeto, deve-se avaliar se o melhor é seguir para o objetivo ou voar na direção da melhor condição;
  • Encontraremos mais facilidades em sítio de vôo conhecido;
  • Escolher o dia certo e não voar na véspera ou no dia seguinte. Em cada 3 dias escolher 1 dia para voar;
  • Procurar trajetos retilíneos com alta pressão atmosférica;
  • Acreditar no dia em que você escolheu;
  • Evite ficar baixo em uma situação onde você tenha apenas um gatilho térmico e um pouso como opção. Seria como colocar todas as fichas em uma aposta "all-in-one". Esta estratégia é muito perigosa, porque pode colocar todo o seu vôo a perder;
  • Vôo-livre de longa distância é algo que se constrói térmica a térmica, quilometro a quilometro e por isso não podemos ser irresponsáveis em botar tudo a perder;
  • Avaliar o primeiro terço do vôo, se deve continuar ou pousar para se poupar para o próximo dia;
  • O resgate é muito importante, ele deve ter poder de decisão e ajudar na avaliação. Deve estar munido de GPS e um rádio com uma boa antena;
  • A comunicação é fundamental em vôos de XC;
  • Água e barrinhas de cereais com acesso durante o vôo, analgésico preso na barra;
  • Tomar um anti-inflamatório antes, durante e depois do vôo;
  • Estudar mapas detalhadamente;
  • Estudar a quilometragem das estradas e seus pontos de referência;
  • Avaliar se o melhor é pousar perto da estrada ou voar mais alguns poucos quilômetros;
  • Um rádio integrado com GPS pode facilitar o resgate;
  • O XC Ceará apresenta condições parecidas com as condições de deserto;
  • Usar pelos menos duas operadoras de celular;
  • Voar é maravilhoso, porém a estrutura que envolve o vôo deve ser lembrada nos mínimos detalhes;
  • Manter-se com raciocínio racional, evitar alegria em situações oportunas e tristeza em situações desconfortantes;
  • Em roubadas no deserto ou em regiões desérticas caminhe a noite e de dia mantenha-se na sombra;
  • Para evitar decisões erradas, não tenha medo de tomar decisões, tiradas ou pousos;
  • Evitar a busca da térmica perfeita;
  • Largar a térmica maravilhosa na hora certa e partir para o Cross;
  • O Ideal e ter várias opções de pousos;
  • Pensar no futuro, nas próximas decisões;
  • Se estiver com muita indecisão, pode abrir o cinto e pousar ou acreditar na condição e partir para o Cross;
  • Tenha confiança na próxima térmica, se o ‘zero a zero’ perdurar, partir para o Cross;
  • Nas tiradas mais longas usar ¾ do VG;
  • Beba muita água;
  • Urine em vôo;
  • As regulagens para Cross devem ser diferentes das regulagens para campeonatos;
  • Relaxe em vôo e regule a asa para ficar macia. Melhor maciez do que performance;
  • Devem-se avaliar os itens proporcionalmente: razão de subida x vento x altura de tirada x desempenho das últimas térmicas;
  • Quando você está alto, voe McCready (mais rápido e parando somente nas fortes);
  • Quando você está baixo, voe em "Speeds to Fly", ou seja, está subindo reduza velocidade para se manter na massa o maior tempo possível. Se está afundando, acelere para sair da massa descendente rapidamente.


Seguem os links do Youtube com a gravação da palestra (agradecimento ao Mathias Fulda que gravou e editou):

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 1

http://br.youtube.com/watch?v=30Z5ObCJRN4

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 2

http://br.youtube.com/watch?v=Jhl1zOTYXmk

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 3

http://br.youtube.com/watch?v=rNvSKPRgdp0

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 4

http://br.youtube.com/watch?v=HIYGh0aS7-A

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 5

http://br.youtube.com/watch?v=BQqDdG_2qb0

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 6 (Final)

http://br.youtube.com/watch?v=uPEtxp7jUo0



Complemento:
O Fabinho Nunes (e eu concordo), diz que se você está muito baixo e tem pouso, coloque contra o vento, pois aumentam as chances de você "bater" em uma termal.

Sobre os dados que o Mike Barber usa na configuração de sua curva "Polar" em seus instrumentos, ele não abriu o jogo, mas para quem quiser ver os parâmetros que nós utilizamos em nossas WillsWing T2, clique aqui. Importante: Cada piloto e seu conjunto (asa, regulagens, casulo, peso, postura) tem uma polar diferente. Calcule a sua para usar os parâmetros corretos.

Ele também deu uma dica de como enroscar nas térmicas sem fazer força e sem cansar. Veja esta dica por completo!

domingo, 22 de julho de 2007

Brasil terá "Team Leader" no campeonato mundial (Texas 2007)


Haroldão será o "Team Leader" no campeonato mundial de asa-delta que ocorrerá no Texas em agosto 2007.

Serão 6 pilotos representando o Brasil + o Haroldo de Castro Neves (Haroldão) como team leader.

"É colocar o esquadrão de ouro bem posicionado na decolagem e aguardá-los no goal. Vamos com tudo e contamos com a torcida e os bons ventos. Quem sabe o Comandante não se anima e vai também para fotografar e mandar as atualizações pelo blog. Abraço, Haroldo Castro Neves"

Equipe que representará o Brasil no camp. mundial 2007:

Os Vils Brothers desejam uma boa sorte e será que vem outro título de campeões mundiais?

domingo, 10 de junho de 2007

Enquanto isso, 17 anos depois...


Há 17 anos atrás Haroldão definia a 3a prova.

Foi exatamente assim ontem, 9/6/2007, com o mesmo Haroldão organizando o evento que foi um sucesso, apesar do vôo fraco.

Vejam o resultado da etapa 2007 que ocorreu em Porciúncula.

Na foto, Haroldo de Castro Neves (Haroldão) em 1990 divulgando qual seria a prova do 3o dia de campeonato em Porciúncula.

Em tempo, a prova de ontem (3o dia) foi praticamente a mesma!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Asa Delta: de Santos Dumont aos nossos dias


O Museu Aeroespacial exibirá a Exposição “Asa Delta: de Santos Dumont aos nossos dias!” na sala Demoiselle no período de 18 de maio a 19 de agosto.

A exposição é uma mostra inédita do Comando da Aeronáutica e reúne um acervo precioso como o “Estudo em Asa Delta”, originalmente confeccionado por Santos Dumont e um troféu do campeão mundial pentencente a Pedro Paulo Lopes, mais conhecido como Pepê, único brasileiro a conquistar esse título no Japão em 1989.


A exposição também reúne outras relíquias como o 1ª Asa Delta a voar no Brasil, doada ao museu aeroespacial pelo pioneiro em Asa Delta, Luiz Cláudio.


A abertura da exposição reserva surpresas radicais como acrobacias de asa delta com Robson Barcelos e Rafael Watson e vôos no simulador de asa delta para o público.


Museu Aeroespacial: Horário de Visitação: 3ª a 6ª - das 09:00 às 15:00h
Sábados, domingos e feriados – das 09:30 às 16:00h
Entrada Franca.



PS: O museu fica dentro do Campo dos Afonsos no Rio de Janeiro.

domingo, 1 de abril de 2007

Deixe o seu legado!

Não importa qual seu esporte ou profissão, tente deixar um legado positivo!

Nesta matéria da Revista Trip, confira um pouco do legado deixado por Pepê Lopes.


http://revistatrip.uol.com.br/152/pepe/home.htm

domingo, 18 de março de 2007

Dinossauros quase em extinção?

Como a prova do campeonato foi cancelada pelo mau tempo, vários pilotos foram à exposição de fotos de vôo e de asas antigas em Itaipava/RJ.




Na foto acima, Sidney Esch ("Bonitão") e Geraldo Nobre ("Geraldossauro Rex") matando saudades do "bacalhau" que eles voaram há mais de 30 anos atrás (...nós nem éramos nascidos!).

Na foto acima, Guga Saldanha (atual Campeão Brasileiro) experimentando o "lançamento do ano".

Aliás, parabéns ao Lalado pela organização do evento.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Relato do piloto Geraldo Nobre: Uma Asa Sobre Cuzco (1989)



Piloto: Geraldo Nobre (piloto de asa, Rio de Janeiro)
Este foi um dos 5 relatos que o piloto Geraldo Nobre (dinossauro do voo com mais de 30 anos de esporte) enviou para concorrer à promoção do Spot com anuidade




UMA ASA SOBRE CUZCO

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Com GERALDO NOBRE

19.000 pés já era uma altitude mais do que suficiente para vislumbrar toda a pampa, o vale sagrado dos Incas e atrás de mim a cidade. Procurando dominar a emoção, aproei sudeste na bússola, abandonei a térmica e parti rumo a Cuzco. A emoção era quase incontrolável. Os efeitos da altitude não se faziam sentir. Os sacrifícios haviam sido recompensados, conseguira alcançar a meta, Cuzco estava sob meus pés.

A motivação para esta aventura sobre Cuzco veio através de um convite da Comission Nacional de Vuelo Libre do Peru, feito pelos pilotos Kurt Meinel e Josué Bustamante. Os amigos solicitavam junto à Popstar Turismo minha ida a sua terra natal para juntos explorarmos a potencialidade de vôo local, incentivar a prática de nosso esporte e, quem sabe, prepararmos a base para um futuro evento internacional neste berço de nossa civilização sul-americana.





Com o significativo apoio da AEROPERÚ, das cozinas SURGE, da COMISSION NACIONAL DE VUELO LIBRE DO PERU e da POPSTAR Turismo, desembarcamos em Lima na noite de 23 de outubro de 1989, trazendo na bagagem uma asa delta INTERCEPTOR da ALBATROSS. Os amigos lá estavam a minha espera e, mais do que isso, Kurt era comandante no vôo que me levou do Rio de Janeiro a Lima.

Recém chegado e instalado, tratamos logo de fazer um roteiro para a nossa curta estada de oito dias no Peru:

- 2 dias para conhecer Lima e voarmos na Costa Verde;

- 3 dias para irmos a Callejón de Huaylas, às cidades de Huaraz e Caraz e voarmos nas Cordilleras Blanca e Negra, no Departamento de Ancash;

- 3 dias para irmos ao Departamento de Cuzco, voar na pampa, no vale sagrado dos Incas e, quem sabe, na cidade de Cuzco.

Pronto, tínhamos um pequeno roteiro. Não colocamos todos os locais onde se pode voar no país como, Cumbemayo em Cajamarca, Nazca em Ica, Majes em Arequipa, Mantaro em Junin e Colan em Piura, mas, para este curto espaço de tempo colocamos o que nos parecia os principais locais de vôo e turismo local.

Segunda-feira, 24/10, amanheceu com céu claro e com uma névoa que descobrimos ser uma característica da cidade de Lima, devido às correntes gélidas da costa do Pacífico. Asas sobre o Toyota do Josué‚ e partimos a encontrar o Kurt em San Isidro, bairro de Lima onde esta situado o parque Gandhi, local de decolagem; um jardim florido situado a 80 metros sobre a praia, aliás, como toda a cidade de Lima.

O vôo é tranqüilo. Temos uma encosta de aproximadamente 5 km de extensão e 80 m de altura entre a praia e a cidade, com vento de frente, sempre constante, 10 a 15 milhas, permitindo um ganho de altura de 100 a 200 metros sobre a decolagem e possibilitando-nos admirar todas as ruas e construções da cidade. Nós três decolamos e ficamos em torno de 2 horas a passear por um local incomum ao turista, 150 metros sobre costa de Lima indo até‚ Miraflores e retornando à Avenida Brasil, pousando na própria decolagem ou no farol de Miraflores e tornando a decolar. Podemos chamá-lo de vôo cartão postal, pois é exatamente a impressão que se tem durante todo o vôo, várias vistas dignas de comporem um álbum de cartões postais de Lima. Podemos, também, classificá-lo para os praticantes de Vôo Livre como um local fácil e seguro de voar; decolagem e pouso propícios para os iniciantes no esporte ou para vôos duplos, com correntes orográficas constantes durante todo o dia e sem atividade térmica. Enfim, o paraíso para vôos de permanência.

Quarta-feira, 25/10, novo dia, início da segunda parte de nosso roteiro: viagem a Callejón de Huaylas onde temos o Parque Nacional de Huascar no limite entre a Serra e a Selva Amazônica, com sua lindíssima Cordillera Blanca, onde também estão situadas Catac, Huaraz, Carhuaz, Yungay e Caraz dentre outras vilas locais dedicadas à agricultura, ao pastoreio, ao artesanato, ao turismo de aventura (alpinismo, canoagem, vôo livre, montanhismo, esqui, etc.), além de seus sítios arqueológicos, de Huanraga, de Huahullac, de Wilkawain, de Joncopampa, de Kekepampa, de Hualcayan e de Auquispuquio.

Acompanhado de Josué‚, com nossas asas e com Rolando, nosso amigo motorista das cozinas Surge, saímos de Lima rumo ao Norte pela rodovia Pan-americana. Pela paisagem desértica da costa do Pacífico passamos por Ancón, Chancay, Huacho, Barranca até atingirmos Pativilca, vilarejo onde devemos abandonar a Costa e seguir pelos contrafortes dos Andes até a região de Serra. Penetrando por vales verdes e com montanhas só de pedra e areia vamos subindo e descobrindo os primeiros grupos e vilas de campesinos, povo humilde, simples, dedicado às atividades básicas da região: a agricultura, o pastoreio e o artesanato, porém, com uma doçura e dedicação que deveria servir-nos de exemplo. À medida que subimos a paisagem vai se transformando para apresentar-nos a magnitude e imponência da Cordilheira dos Andes. Atingimos o ponto mais alto da subida, a vila de Conococha a 4.100m. A paisagem muda radicalmente. Descortina-se a nossa frente uma pampa verdejante imensa tendo ao fundo o pico Caullaraju com seus 5.600m, nevado. É impressionante o que a natureza reservou-nos de belo neste local, algo de tirar o fôlego, algo de levar-nos a sonhar que aqui devo ter uma moradia eterna. A partir daqui o caminho‚ através da pampa, em suave descida, em direção ao vale. Ladeada pelas Cordilleras Blanca, com seus 6.000 m de altitude em média à direita, e Negra, com seus 5.000 m à esquerda, a estrada avança por sobre o vale e passamos por Catac, Huaraz, Carhuaz, etc..., cidades da região. Admirei a dedicação dos campesinos, em seus trajes típicos, no trabalho quase artesanal de suas terras. As encostas formam verdadeiros mosaicos de traços e cores. É o resultado de seu suor e a fonte de seu sustento.

Chegamos a Yungay, cidade há poucos anos soterrada por uma avalanche vinda do pico mais famoso do vale, o imponente Huascaran. São 15h, almoçamos e já é tarde para voarmos, mas, mesmo assim, vamos tentar a subida. É através de uma pequena estrada de pedras, caminho de descida de um vilarejo dedicado ao cultivo de flores para exportação, que se vai ao ponto de decolagem. É um trajeto duro, impossível para um carro de passeio, necessitamos de um Jipe. Após algumas tentativas, desistimos.

- "Amanhã será um novo dia e conseguiremos outro carro e teremos mais tempo", com este pensamento, alguma frustração e o cansaço das 8h de viagem necessárias para chegarmos, fomos nos instalar em Caraz.

Caraz, 2.100 metros de altitude, cidade bem marcante no vale, cidade típica do local, cidade exportadora de flores, cidade orgulho de seus habitantes, principalmente pelo clima diverso do restante do vale, sempre bom.

Instalados no Hotel Chavin saímos a procurar Murad, um francês descendente de árabes, amigo de Josué‚ residente há algum tempo em Caraz e um fã ardoroso da cidade, do vale e de seu povo e como era conhecido, o gringo dono do Djurjura, "Café Restaurante Internacional de Caraz". Não tão imponente quanto o nome, mas aconchegante e onde junto com sua esposa servem amavelmente a melhor comida da cidade. Ele foi nosso anfitrião e providenciou tudo para que no dia seguinte pudéssemos efetuar nosso vôo de reconhecimento.

Quinta-feira, 26/10, outro dia desponta. Cedo nosso anfitrião chega com o almejado Jipe e partimos para a Serra. Percalços na subida: pedras no caminho, entradas erradas, atoleiro e quase rolamos a encosta, mas, sãos e salvos chegamos ao topo. Não na decolagem, no ponto da estrada mais perto dela. Faltam ainda uns 100 metros morro acima com todo o equipamento: asas, cintos, pára-quedas, instrumentos e etc. Os campesinos nos são solícitos e socorrem-nos ajudando na estrada e no transporte de todo o material. Apresentam-nos a sua face humilde e simples, pura e amiga, solícita, capaz de comover-nos. Sou-lhes grato por mais esta emoção. Enfim, estamos na decolagem, o vale descortina-se nossa frente, todo cultivado e com a cidade de Caraz como fundo, ladeado pelas nossas já íntimas Blanca e Negra. Asa montada, todo o aparato pronto, 25 milhas de vento de frente! Um pouco forte, mas perfeitamente decolável. Com a ajuda de Murad, de Rolando e dos Campesinos nos cabos das asas, estamos na encosta de relva escolhida para decolagem. 1, 2, 3, Já e, tanto Josué‚ como eu, somos literalmente soltos no espaço. Decolamos de aproximadamente 700 m acima do nível do vale e logo estamos a 300 m sobre a decolagem, quase parados, flutuando sobre o vale, entre as cordilheiras. O vento sempre constante e paralelo a encosta penetrava no vale produzindo ascendentes nos seus contrafortes. O teto de nuvens não muito alto escondia os picos mais elevados. Uma formação de chuva no fundo do vale, atrás da decolagem, dizia-nos que não valia à pena tentar voar seguindo o vale, portanto, ficamos a contemplar o mundo abaixo de nós por aproximadamente 1 hora, ao fim da qual, com a proximidade das nuvens carregadas, partimos para o pouso. Um pouso na vertical, como um elevador, o vento tinha aumentado mais umas 10 milhas, devido à vinda da chuva. Um pouco de turbulência, mas tudo sob controle. Estamos no chão, num sítio chamado Fundo Del Carmem, na entrada de Caraz, a 8 km da decolagem. Satisfeitos, felizes e agora molhados, pois a chuva chegara, desmontamos as asas e pouco depois chega nosso resgate. Murad e Rolando desceram com o Jipe sem problemas e agora nos resgatavam. Um bom jantar no Djurjura, estórias de vôo, contos da região, troca de experiências de vida e sem perceber havíamos chegado ao fim de mais um dia.

Despedidas, agradecimentos, promessas de retorno e viagem de volta a Lima pelos mesmos vales, pela pampa, descendo a serra, através da costa desértica e provando o famoso cebiche, este foi o nosso quinto dia no Peru, Sexta-feira, 27/10.

Sábado, 28/10, 06h00min da manhã, aeroporto Jorge Chavez, Lima, acompanhado mais uma vez pelo amigo e sagaz companheiro de viagem, Josué, estamos embarcando com a cortesia da AEROPERU para a terceira e mais importante parte de nossa aventura, onde me parece ser a região mais famosa em termos turísticos, CUZCO.

Tudo que ouvimos falar sobre Cuzco é de imediato comprovado. Situada a 3.100 metros s.n.m., na parte Ocidental da Cordilheira dos Andes, sede do Império Quechua ou dos Incas, como queiram, a cidade exala de imediato uma aura de misticismo da época Incaica, através de sua arquitetura quase toda moldada em pedra e barro, através de seus aldeões em trajes típicos a percorrê-la, através de suas danças folclóricas, através de suas ruínas e museus e ainda mesclada com algo da colonização espanhola.

Já no aeroporto a aura de Cuzco nos envolve e domina. Você se sente diferente, emocionado e encantado com a região.

Justo Torres, representante local das cozinhas SURGE, é quem nos recebe e faz as honras enquanto de nossa estada na cidade. Atencioso e extremamente calmo, ele nos acomoda no Hotel Tambo, providencia a caminhonete para transporte das asas, leva-nos a casa de Josué López e de Nélio Mujica, amigos locais, entusiastas de nosso esporte, e que são nossa companhia, apoio e ajuda durante todo o tempo em que aí estivermos.

São 11h30min estamos prontos, com todo o material e pessoal necessário e relativamente aclimatados com a altitude, pois havíamos feito um estágio de três dias em Caraz, entre 2.000 e 3.000 m, tomamos o famoso chá de coca, obrigatório para se tentar evitar o sorote (enjôo das alturas) e, dispostos a conhecer o que se pensava do vôo sobre a pampa e sobre o vale sagrado dos Incas. Partimos em direção Norte, rumo a Chincheiros, um vilarejo campesino situado na pampa, conhecido por seu mercado indígena de trocas, vizinho a decolagem. A natureza reservara-me outra surpresa e emoção: a pampa. Era algo mais belo do que podia ter imaginado, aquele mosaico de traços e cores visto anteriormente era aqui a paisagem dominante e a perder-se de vista em todas as direções. Para nós voadores, um verdadeiro mar de pousos perfeitos, ou melhor, um só pouso, ou talvez, tudo é pouso, mais do que isso, além do imenso pouso a beleza bucólica da pampa com suas pequenas represas e ovelhas, gado, burricos a pastar, criando uma imagem digna de uma tela. O morro da decolagem, situado a aproximadamente 45km de Cuzco, pode ser descrito como uma calosidade na pampa, com a mesma paisagem, tendo 200m de desnível pela parte posterior e uns 550m pela face escolhida como decolagem. Pela subida suave e gramada se atinge o cume e pode-se mirar ao redor toda a imensidão desta pampa, as represas e, de quebra, como uma fenda ao nosso lado, o vale sagrado dos Incas, tendo na outra encosta seus picos nevados. Mais uma vez os campesinos estão presentes, pois antes da subida passamos em Collanas, povoado ao pé da decolagem, e solicitamos a comunidade seu apoio e ajuda para chegarmos ao topo. Logo a pick-up estava com uns 10 homens dispostos a nos acompanhar. A área para montarmos as asas é praticamente todo o morro. O vento faz-se sentir entre 10 e 25 milhas durante uma rajada. As características do terreno, o sol quente, o ciclo de rajadas nos dá a certeza de térmicas, talvez não tão intensas quanto desejaríamos, pois se avizinha um imenso cirrus vindo de noroeste. Não há qualquer problema, faremos um vôo de reconhecimento, deixando para amanhã qualquer tentativa de cross-country (vôo de distância).

Todos a postos, asas montadas, roupas térmicas, luvas, capacete, óculos protetores, equipamentos aferidos, vento de noroeste 20 milhas, altitude 12.530 pés, 14h50min e novamente alçamos vôo. Uma ascendente suave e forte nos coloca a 1.000 pés sobre a decolagem. De início um pouco de turbulência, mas logo se torna um vôo liso e panorâmico sobre a região. Um gavião junta-se a nós, ora seguindo-me, ora acompanhando Josué. Agora somos três que estão a planar. Estendemos nosso passeio ao lado e vamos até‚ a borda do vale sagrado, sobre Urabamba; voltamos, ganhamos mais altura e vamos a frente até‚ Moras e por sobre as ruínas de Moray; voltamos novamente, retomamos a altura e ficamos neste êxtase, variando entre 11.500 e 13.500 pés, pois o cirrus ali se instalara não permitindo alturas maiores, por aproximadamente 2 horas, após o que partimos ao pouso. Josué penetra no vale e vai pousar em Urabamba. Eu desço em círculos, decidido a pousar suavemente no centro do pequeno povoado, como forma de agradecimento a tanta amabilidade deste povo.  Uma correria, uma festa, uma novidade. Todas as crianças correm ao meu encalço; as senhoras, mais recatadas, se acercam; os homens, mais arredios, observam-me. A felicidade deles pelo evento e a minha pelo vôo esta estampada em nossos rostos. Sou brindado com uma chicha, cerveja feita no campo à base de maiz. Meus amigos lá já estavam e ajudam a desmontar e arrumar todo o material rapidamente, pois já são mais de 17h00min e ainda devemos recuperar Josué no vale. Despedimo-nos dos campesinos e descemos rumo a Urabamba. Achamos Josué‚ dentro de um casebre rústico, jantando com uma pequena família local. A recepção tinha sido tão calorosa quanto a minha. Incrível, estávamos tendo como coroamento do dia lições de humildade, de pureza de sentimentos, de cortesia e de amabilidade. O sol se pôs e nosso retorno foi de noite.

Sábado, 29/10, o dia amanhece exuberante, um azul forte e indicativo de condições mais do que perfeitas à prática do vôo livre. Era meu último dia de vôo no Peru. Eu sabia disto e tinha que marcar minha vinda aqui. Era minha última chance, não podia perdê-la, tinha que voar sobre Cuzco. Eu sabia que era perfeitamente realizável. Chega de vôos de reconhecimento local. Já estava mais aclimatado com a altitude. Devia deixar minha técnica fluir para alçar algo maior. Estava decidido: Iria pousar no aeroporto de Cuzco.

Às 10h00min estávamos todos reunidos no Hotel e prontos para partir. A decolagem deveria ser mais cedo e apressamos o passo. Chegamos na decolagem e as condições eram superiores às do dia anterior: o mesmo vento, mais sol, sem cirrus e com vários cúmulos a se formar. O teto estava alto, acima dos picos nevados, o que nos indicava algo em torno dos 6.000 metros.

- "Josué! Vamos voar sobre a pampa em direção sudeste, para Cuzco."

- "Tire uma foto."

- "Olha, vou voar naquela direção, passar aquela cordilheira e chegar a Cuzco. Procurem-me no aeroporto."

Lembro-me que Josué López e Nélio ficaram incrédulos, mas não disseram nada.

Outra vez tudo pronto e às 13h10min nova decolagem. Porém, como tudo indicava, hoje tínhamos térmicas melhores e logo achei uma imensa. Procurei caprichar e centrando ao máximo fui vendo o mundo diminuir sob mim. O morro da decolagem achatou-se no solo e em alguns minutos derivando com a térmica estava a 16.500 pés, 4.000 pés acima da decolagem, um recorde pessoal e para mim histórico. Perfeito, parti ao cross, seguindo o que me pareceu à melhor rota: rumo ao lago Piuroy, represa de Cuzco, ao pé da encosta que estava a Sul. A escolha não foi muito feliz, perdendo altura lá cheguei, encontrando uma área um pouco instável, sem ascendentes consistentes. Tinha perdido 3.000 pés e devia rapidamente escolher outra rota. Josué vendo que partira, não hesitou, mesmo com pouca altura seguiu-me. Infelizmente não achou outra ascendente em sua rota e viu-se obrigado a pousar perto de Chincheiros, na pampa. Virei a Oeste vendo uns cúmulos que se formavam e dirigi-me a eles. Perdi mais 600 pés, mas encontrei a térmica em formação. Primeira fraca e instável, pouco a pouco mais firme até‚ estabilizar-se em cerca de 500 pés por minuto de ascendência constante. Uma vez mais aquele êxtase de elevar-se numa térmica.

- "Espere, tenho que documentar isto.", pensei.

Saquei a máquina fotográfica e comecei a documentar o vôo. À medida que subia o horizonte de visão aumentava. De repente ultrapassei a altura da cordilheira, ainda distante uns 5 km, e avistei Cuzco. A emoção começava a se fazer presente e pensava:

- "Estou quase lá."

- "Falta-me pouco."

- "Controle-se."

- "E a altura?"

- "A quanto estamos?"

- "17.800 pés!"

- "Está se sentindo bem?"

- "Nenhum efeito da altitude?"

- "Espere mais um pouco."

- "Tire uma foto de Cuzco ao longe."

- "18.980 pés."

- "Está bom."

19.000 pés s.n.m. já era uma altitude mais do que suficiente para vislumbrar toda a pampa, o vale sagrado dos Incas e atrás de mim a cidade. Procurando dominar a emoção, aprumei sudeste na bússola, abandonei a térmica e parti rumo a Cuzco. A emoção era quase incontrolável. Os efeitos da altitude não se faziam sentir. Lembro-me, ainda, que me dirigi à ponta da cordilheira que separa Cuzco da pampa, que parei novamente, que encontrei nova térmica e recuperei parte da altura perdida até chegar ali. Já não importava mais, o importante era que os sacrifícios haviam sido recompensados, conseguira alcançar a meta, Cuzco estava sob meus pés. Estava sobre a cidade e dediquei alguns minutos a fotografar as ruínas de Sacsayhuaman, a praça de armas com sua catedral, o estádio e todas as cercanias da cidade. A altura em que me encontrava sobre Cuzco permitia que continuasse o vôo para qualquer direção, mas não, já era o suficiente, vamos consagrá-lo. Fiquei sobre a cidade cerca de 40 minutos, indo e vindo em todas as direções, até que por fim dirigi-me ao aeroporto para o último planeio e onde sabia que certamente o pouso seria registrado. Às 14h50min estava pousado e sabia ser o novo detentor do recorde sul americano de altitude com asa delta. O mais foi festa: o povo que acorreu para ver a novidade; os amigos que chegaram para resgatar-me e que não acreditavam ser possível; o jantar na casa de Josué López, as despedidas e, a certeza de que voltarei para novos vôos, para a festa dos campesinos e para o passeio que não fiz a Manchu Picchu.

Da viagem e de seus objetivos concluímos que o vôo livre no Peru é perfeitamente possível e com grande potencial. Lima e todas as regiões de vôo situadas na Costa apresentam condições ideais para vôos de permanência, perfeitas até mesmo aos pilotos iniciantes. Criando-se uma infra-estrutura adequada pode-se promover um evento nacional, talvez na semana de andinismo, em Caraz. E, que Cuzco ‚ imbatível pela beleza, pelas condições técnicas de vôo e pela infra-estrutura apresentada pela cidade para eventos de porte internacional, além de todo o misticismo e história que a rodeia.

Gostaria, ao final, de registrar os meus sinceros agradecimentos a POPSTAR Turismo pela intermediação da viagem, a AEROPERU pelas concessões no transporte aéreo, às Indústrias SURGE pela hospedagem e locomoção, à COMISSION NACIONAL DE VUELO LIBRE DO PERU e a todos os seus associados pelo convite, a Kurt Meinel e Josué Bustamante companheiros e amigos no esporte, a Rolando, Justo Torres e Murad decisivos no apoio a nossos vôos, a Josué López e a Nélio pela ajuda e admiração ao amigo e ao esporte e, em especial, aos campesinos por sua beleza interior. A todos vocês o meu muito obrigado e, tenham certeza que isto só foi possível pela união e motivação de todos nós.



FICHA TÉCNICA DO VÔO

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DATA: 29 de outubro de 1989.

DECOLAGEM

LOCAL: Cerro Sacro

ALTITUDE: 12.530 pés

HORA: 13h10min h

POUSO

LOCAL: Aeroporto de Cuzco

ALTITUDE: 10.200 pés

HORA: 14h50min h

CONDIÇÕES DE VÔO

VENTO: Noroeste de 10 a 20 milhas

TÉRMICAS: 300 a 500 pés por minuto

TEMPO DE VÔO: 01h40min h

ALTITUDE MÁXIMA: 18.980 pés

GANHO DE ALTURA: 6.450 pés sobre a decolagem

DISTÂNCIA VOADA: 25 km

Em 1991, voltamos a Cuzco para realizar o primeiro Evento Internacional de Cross Country no local, com pilotos de diversos países. Fizemos vôos seguindo por dentro do Vale Sagrado, vôos passando por Cuzco e seguindo por vales no meio dos Andes, tudo com apoio incondicional do Exército Peruano no resgate e no transporte aéreo até lá, pois era a época dos Tupamaros. Fomos também conhecer e tentar voar em Manchu Picchu, mas isto é uma outra estória.