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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Dicas de voo para quem vai fazer voo-livre de asa ou parapente em Tacima PB



Fiz esse video pra explicar o início do voo de Tacima, PB aos pilotos amigos que vão voar pela primeira vez no local.

É uma análise da rota de voo de asa-delta ou de parapente quando se decola de Tacima PB (Proximo de Araruna PB) com destino ao sertão cearense.

A rota e a exportação dos waypoints pode ser acessada nesse link:
https://xcplanner.appspot.com/?l=leonardo&p=%7Cptf%40r%7BsxEcbp%40rmfBo%7CRfll%40%7DkJfvMgaTxnl%40_cVvwwAupO%60fgAwkUl%7Dq%40itZhwyA%7BmVhpw%40otz%40%7Bbi%40ble%40z%7CpBe~p%40%60tLp_GrqDzjUxgm%40e%7BIfdyAqzr%40thpBgla%40%60%7Dm%40&s=20.0&a=0

Espero que ajude e aumente a segurança, bem como a velocidade do voo para os colegas que vão a este paraíso do voo-livre voar seus recordes pessoais e, para alguns abençoados, recordes mundiais e continentais.

Bons voos.

Link direto pro video: https://www.youtube.com/watch?v=8s8UHaCa1Ow


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Relato do Dudu MS sobre o voo do recorde em Tacima






 Bom galera, meta dos 500 alcançada, que venham os 600 agora...!
 Em 2006 vim pro Nordeste a primeira vez com Chico Santos, Moikano, Dan, Didi e Serjão, desde então todo ano por aqui aprimorando o meu XC e prospectando as rotas.
 Depois do recorde do André Wolf de 454km  em Quixadá, achei que seria melhor decolar de algum lugar mais a leste, para ter o voo do sertão pelos 500 km a serem percorridos, que estavam latentes em meus pensamentos.
 Thales vivia me convidado para ir voar em Tacima (Araruna) e na primeira temporada que lá voei tive convicção que o sitio e a rota seriam perfeitos para os 500.
 A rampa tem 150 metros de altura... É natural, de pedra, tem um shape perfeito, o vento entra liso mesmo sendo forte. está a 10 minutos da pousada do Edvaldo.
Despertador tocou 4.45am; 6.05am saindo da pousada; 7.46am no AR! 
 não perdemos muito tempo no lift, 8.06 estavamos na base, 1000m do mar, apenas 400m acima do primeiro platô, por isso saimos conservador, no piriri, pelos primeiros 20km. na primeira hora de voo, 40 km. Deixamos Santa Cruz a direita e depois de Campo Redondo foi só alegria! O Glauco me mostrou um cloud street animal a direita, já chegando no platô de Lagoa Nova, com 2 horas de voo, 120km, teto 1750. Nos perdemos do Dudu de Brasilia, e o voo continuou muito rápido. 
 O teto não tava alto (1800m), as térmicas não estavam fortes(3m/s), e nem o vento tão forte, 25km/h (algumas vezes vi 35km/h). Mas é muito constante, tem muita térmica! e os entreciclos foram pequenos.
 A média vinha caindo, mas o céu sempre bonito, e o parceiro Glauco sempre voando por perto, o Dudu DF apenas no radio. Na cabeça os 500, é possivel!
 Passamos aberto a direita do açude do Castanhão, depois a esquerda de Quixadá, bem em cima da pousada do Almeida na Joatama. 3.10pm
 Dali pra frente as nuvens já não estavam tão agrupadas, desisti de Tamboril que era o gol, e comecei a seguir o melhor caminho, navegando pelo conhecimento adquirido nestes 7 anos de nordeste.
Atravessamos alguns azuis, me perdi do Glauco, o vento foi virando quase pra sul, se jogasse caudal total, poderia ir parar nas robadas da serra do Machado, que acabamos tangenciando, 498, 499... demorou uma eternidade para girar: 500!
um vale estreito a ser seguido, mais um piriri; será que cruzo esta ultima roubada? achei um pouso, no leito da estrada de terra, vento quase alinhado, pouso perfeito, 530km!
Dali pra frente aquela hospitalidade cearense, toda a comunidade em volta, meu corpo moido, as meninas tirando foto e perguntando se eu tenho feicibuqui...
Banho de caneca, nao tem agua encanada, arroz com frango e suco de manga na casa do seu Edilson, deito na rede por uma hora e o resgate, o Ricardo de BSB ja estava lá, resgatado as 8 pm, perfeito.
As 10pm ja estavamos os 3 no hotel em Santa Quitéria.
É isso, obrigado a todos de que alguma maneira nos ajudaram, pois sózinhos não somos nada!
Ah, agora estamos na estrada voltando, logo mais o Edvaldo da pousada de Araruna vai assar um bode, tava prometido faziam 3 anos!

Enviado por Eduardo Oliveira (DUDU MS) em 16/10/2013 (dia seguinte ao voo)


http://xcbrasil.com.br/leonardo/flight/81578  (Tracklog do Voo do Glauco Pinto)
http://xcbrasil.com.br/leonardo/flight/81579  (Tracklog do Voo do Eduardo Oliveira "Dudu MS")





terça-feira, 15 de outubro de 2013

Novo recorde Sulamericano de distância livre 576Km

Dudu DF, Euardo Fernandes, de Brasília investiu hoje na quebra do recorde de distância livre de asa-delta e conseguiu a marca de 576Km de voo, decolando de Tacima, divisa da Paraíba com o RN ( -6.498116 ,  -35.658128) e pousou no Ceará após Santa Quitéria, na coordenada  (-4.23326, -40.34201)

Estavam neste voo épico também os pilotos Glauco Pinto (DF) e Dudu do Mato Grosso do Sul, que voaram na faixa de 530Km.


Dudu DF (Eduardo Fernandes, recordista)



Parabéns Dudu MS, Dudu DF e Glauco Pinto!



terça-feira, 20 de agosto de 2013

O recorde sul-americano de distância declarada foi homologado pela FAI


A FAI homologou meu recorde do ano passado, onde declarei em Jaraguá (Goiás) que decolaria e pousaria em uma fazenda a 218Km de distância. Consegui completar em menos de 4 horas de vôo. O voo foi feito no dia 20/8/2012 e dia 14/8/2013, quase 1 anos depois, a FAI terminou o processo burocrático de validação e homologação do recorde.

Este tipo de recorde se chama "recorde de distância declarada" e foi homologado como um recorde continental (sul-americano).

Esta região do cerrado goiano permite vôos bem superiores, como o voo de 305Km que fiz, pousando perto do rio Araguaia na divisa com o estado do Mato Grosso (Barra do Garças/MT).

Todavia, para homologar o recorde vários quesitos tiveram de ser atendidos, como não infringir o espaço aéreo de Goiânia, Brasília nem o da base militar de Anápolis. Foram mais de 3h voando abaixo dos 3.000m para me manter dentro do espaço aéreo permitido.

Agradeço principalmente ao comandante +Octavio Fiaes pela ajuda de planejamento e burocrática neste processo de homologação. E ao +Daniel Miranda pelo resgate impecável durante toda a viagem de voo do ano passado.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Novo recorde mundial de distancia livre em uma asa-delta (768Km)

Jonny Durand postou o vídeo do recorde mundial de distância voando uma asa-delta onde ele e o Dustin Martin quebraram a barreira dos 760Km em linha reta mês passado no Texas, USA.

Simplesmente fantástico voar com eles neste voo que durou 11 horas e praticamente voaram juntos o voo todo, pousando apenas 4km de distância um do outro.
 




O nível do esporte está altíssimo e este voo épico foi acompanhado ao vivo através do rastreador via satélite Spot (http://la.findmespot.com/pg/) por milhares de pilotos que torciam pela quebra do recorde que já durava 11 anos, quando o piloto austríaco Manfred Ruhmer voara 700Km no mesmo local em 2001.

Congrats Jonny e Dustin!


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Novo RECORDE Brasileiro e Sul Americano de Asa-delta com Andre Wolf voando em casa

André Wolf pousou há poucos minutos na Argentina, após decolar do Brasil, na cidade gaúcha de Caçapava do Sul, RS.


Ilustração do trajeto feito pelo piloto.



Decolou às 11h da manhã (horário de verão, ou seja, 10h do horário solar) e voou por 9h30min os 495Km em linha reta, entrando sobre os Pampas Gaúchos e cruzando a fronteira com a Argentina.

Pousou próximo da cidade Argentina de "Mercedes".

É o novo recorde brasileiro e sul-americano de distância livre de asa-delta, conquistado por este gaúcho no próprio "quintal" de casa.

O recorde anterior também era dele, decolando de Quixadá, no Ceará, onde voou cerca de 455Km.


Dados técnicos:

Decolagem: Caçapava do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil às 11h do dia 26 jan 2012 (hor. brasileiro de verão)
Coordenada da decolagem: -30.61794 , -53.38785
Pouso: Próximo à cidade de Mercedes, na província de Corrientes, Argentina às 20:30h (hor. brasileiro de verão)
Coordenada do pouso: -29.11821 , -58.21207
Tempo de voo: 9h 30min
Distância em linha reta percorrida: 495 Km


Parabéns André por esta conquista espetacular de hoje que eleva mais uma vez o nível de nosso esporte.

E parabéns para o super-resgate gente boa, chamado "Escova", que já estava estacionado na estrada argentina quando o André pousou.

Um abraço dos Vils Brothers.


  

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Quixada XCeara2009: 337Km hoje com ventao

Ventania doida, pancadaria, termais fortes de mais de 10m/s.

Cheguei a pegar 62Km/h de vento em voo.

Normal entre 40 e 50km/h

Meu novo recorde pessoal...
337Km de voo em menos de 6h.

Ferro e Dudu MS estao mais a frente e vao pousar agora.


Eu estava baixo no km 335km e nao vi mais pousos pela frente. Fui um pouco e voltei pra um pousao.


Eles a 2.000m viram pouso no meio da floresta e eh um vilarejo. Ainda bem que acharam pouso, senao teriam que dormir com a macaca Cheeta.

Obrigado senhor por este esporte privilegiado.

PS: o carro de resgate ja esta a 5 minutos de mim.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Erick, rumo aos 300km (325KM galeraaaaaaa)

325Km galeraaaaa!

Acabei de pousar no Piaui (cidade de Piripiri) com 7h e 08min de voo.

Teto 2.800m asl

Termal de 10m/s

Marcelo Ferro esta chegando na cidade tambem.

Tracklog do meu voo:

domingo, 8 de novembro de 2009

Novo recorde mundial de feminino de parapente - 323Km in BRAZIL

Acompanhamos ao vivo, via satélite através do Spot, a Kamira Rodrigues quebrar o recorde mundial feminino de voo em um parapente agora há pouco (8 nov 2009).

Ela decolou hoje de manhã de Quixadá, (no interior do Ceará) e pousou no Piauí após 323Km de vôo abordo do seu parapente.

Parabéns Kamira por ser brasileira e estar voando um parapente fabricado no Brasil.



quarta-feira, 5 de novembro de 2008

230 Km de voo hoje em Patu (RN)

Pousado após 5h de vôo. Algumas formações fora da rota.

Localizador via Stálite (www.findmespot.com) preso na asa

Cirrus emcobrindo a rota e dificultando o vôo.

Viva o Dorflex! Foram 3 durante o vôo, além do Ornitargin (que caiu da asa quanto eu tomaria o terceiro)

A molecada sempre ajuda!

Erick e Cedrick Vils comemorando o novo recorde pessoal. 230Km de vôo.

Chegamos ontem a noite em Patu, Rio Grande do Norte.

Acordamos as 6h da manha de hoje e percebemos que o dia nao estava classico e parecia um dia ruim.

Muito azul, pouquissimas nuvens, mas mesmo assim optamos por fazer uma correria e ir pra rampa.

Paramos na loja da TIM (a melhor por estas bandas...), compramos chip as 7:20h e subimos pra rampa. As 8h ja tinham parapentes boiando sobre a rampa, mas poucos metros sobre a rampa.

O objetivo era decolar 8:30h, mas atrasou tudo por causa dos preparativos pro voo de distancia. Dorflex e Ornitargin com durex no speedbar, localizador via satelite (Spot http://www.findmespot.com/) preso na barra lateral, comidas no casulo, 2 radios, 3L de agua, carboidratos etc.

Só conseguimos decolar 10:40h e o ventao matinal ja havia diminuído, deixando ate a decolagem complicada por falta de vento.

Colocamos no GPS a proa 270° (do leste pro oeste) apontando para Campo Maior.

O dia realmente estava de normal pra fraco.

Azulado varios momentos, vento leste entre 18 e 40Km/h, teto maximo de 2.600m (de tarde) e termicas medias de 2 a 3m/s, com algumas lisas de 6m/s.

Apos passarmos no traves de Quixada (CE), pelo Sul, um cirrus sombreava e tivemos que fugir um pouco da rota e buraco azul novamente.

Apos 5h de voo pousamos no Km 230 ao sul de Mombaca (CE).

Cedrick poderia ter continuado mais um pouco, mas preferiu pousar para facilitar o resgate.

Em menos de 40min o Didi (piloto de atibaia que esta fazendo nosso resgate) chegou com o carro do lado.

Estamos na estrada agora indo pra Ico (CE) onde dormiremos e amanha seguiremos pra Tacima na Paraiba para voarmos sexta-feira bem cedinho com o Dudu (MT) e o Julio Krebs (RS).

Tracklog voo Erick

Tracklog voo Cedrick

Agradecimentos especiais ao Nader Couri e Mathias Fulda por emprestarem o Spot via satelite.

Em tempo: nosso maior voo passa a ser este de hoje, pois ano passado fomos "obrigados" a pousar no Goal de Ipu CE, apos 206Km.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Geraldo Nobre: O novo recorde de distância partindo de São Conrado RJ e pousando em Minas Gerais

Relato do grande Dinossauro Geraldo Nobre no vôo de ontem. Ele decolou da rampa da Pedra Bonita na praia de São Conrado/RJ e pousou próximo de Juiz de Fora em Minas Gerais, estabelencendo o novo recorde da rampa de São Conrado.

Foram mais de 150Km de vôo. Veja o tracklog.



Meus Caros Companheiros Alados,
Valeu!!!
Obrigado por tantos elogios, sonhos e dores de cotovelo enviadas.
É gratificante receber tantos incentivos e ver que estou incentivando a todos a voarem cada vez mais e melhor.
Valeu, Nader, Otávio, Glauco, Milton, Valença, Zé Over, Erick, Thiago Salame, Fabiano Ribeiro, Raphael, João Machado, Luisinho e tantos outros que tem o Vôo Livre na veia e que sempre sonham em estar nestes vôos.
Valeu pela companhia de vocês no Vôo Livre e pela amizade embutida nas mensagens.
Agora vamos ao que todo mundo quer saber, o vôo de ontem.
Posso dizer de ante-mão que foi um dos vôos mais complicados de minha vida, principalmente na metade do caminho depois que subi a Serra das Araras.
Ele começou no dia anterior quando, indo a rampa de São Conrado e vendo o Nordestão entrar, limpando o tempo que estava embassado a vários dias, tomei a decisão de não voar e descansar para o dia seguinte quando fatalmente a condição estaria mais redonda e deveria permitir um vôo de XC.
Com Nordestão, se vai ao Cristo, se ganha a Gávea facilmente mas, essencialmente é um vôo onde se briga para descer e não para subir.
E se queria partir para o Cross não era o dia certo e não valia a pena me desgastar.
A decisão foi correta.
5a feira - SEM LEI - amanheceu próximo do perfeito, o teto estava um pouco baixo mas o azul e as formações prometiam.
Parti às 9:00h para São Conrado e a primeira dificuldade do dia apareceu: um baita engarrafamento e mais de 40 minutos da Barra para S.Conrado.
Todo mundo indo para o trabalho e me atrapalhando ir voar já era o suficiente para instigar o nervosismo pelo vôo.
Chego na praia e vejo a turma toda nos agitos de subir.
Todo mundo percebeu que o dia era bom e chutamos o balde do trabalho como um bando de aves que parte para o Sul.
Para melhorar, reunião na AVLRJ e rampa fechada para os duplos.
Que perfeição, 20 asas top de linha alinhadas para partirmos.
10:40h - Saquarema abre os trabalhos, decola, engata, vai para o rotor e estampa no céu.
É o corre corre geral.
- `Vambora` que a farofa começou.
A maldade de fazer uma distância para fora de S.Conrado e ganhar alguns pontinhos a mais no XC Rio estava estampada na cara de quase todos.
Dinos, Danoninhos e Dentes de Leite planejando a fuga em massa de São Conrado.
Táticas e técnicas que estavam na cabeça de cada um apareciam nas faces dos degladiadores do dia.
Partimos.......
Um batalhão desesperado para chegar no Cristo.
No rotor, um canhão redondo que já levava a mais de 1.000m.
Alguns foram para o Croc, contorna-lo, e a maioria já partiu direto por dentro do alto da boa vista para o queimadinho, tamanha era a certeza da boa condição.
Chegamos nas antenas e boom outro pontapé para cima.
- Ainda não esta redondo, vamos mais para frente;
Na torre de alta tensão antes da última cruzada para o Cristo outro pontapé prá lua;
- Vamos, vamos, na frente tá melhor;
E o Sadia que estava puxando o trem chegou no Cristo e catapum, subiu que nem foguete.
- Pica, anda, sai do buraco que a de lá é a melhor do pedaço !!!
E era, um canhão redondo que levava a mais de 1.200m e permitia curtir o visual do Rio de Janeiro inteiro.
Olhava prá trás e lá vinha uma fila de ferozes caças ninja na direção da termal que pegamos.
Cada um que chegava, engatava e estampava.
Prá galera que estava no Corcovado deveriamos parecer um bando de mosquitinhos infernizando a vida do Senhor de Braços Abertos.
- E agora ?
Bom, a tática inicial de todos estava cumprida.
Ir ao Cristo antes da tirada para acumular uns pontos e esperar a condição arredondar.
Ainda não era hora de partir para o Cross, tinha que esperar a condição formar no caminho.
Voltei para as antenas e vamos cozinhar o galo um pouco para ver qual o melhor caminho para o pico.
E qual não foi a minha surpresa quando a galera continuou sem parar e zoom voltaram para a concha de São Conrado e alguns já jogaram para o pico do Papagaio e partiram.
- Xiiiii....
- Acho que fiquei prá trás !
- Mas, tá muito cedo !
A tirada direto das antenas para o Pico da Tijuca está com uma descendente só e chegar lá baixo é um tiro no escuro.
Teto de 1.200m é bom para o vôo local mas para tirar ainda é baixo.
Vamos voltar para aquela térmica do rotor e corujar como está a condição lá no Pico do Papagaio.
Engatado na núvem em cima do Croc fui derivando para o Alto da Boa Vista e vendo alguns ralando na cordilheira do Pico e outros já indo embora.
- Este teto tá baixo !
- Com 1.200m não dá para cruzar para a Pedra Branca e engatar na condição de lá.
- Tenho que arrumar outra saída.
Tô chegando na região do Pico e encontro o Carlos Augusto e o Giovanni batalhando por lá.
Procura, cata, e acha o miolo que estava bem no meio da Floresta da Tijuca.
E lá vamos nós, núvem.
- Agora é nossa vez de tirarmos !
- Nada de proa Jacarepaguá que vai pousar lá pelo Rio 2.
Então, proa Campo dos Afonsos, ciscando na região do pedágio da Linha Amarela que o vento de Nordeste mostrava uma formação por lá.
Olho para trás e arrumei um fiel escudeiro.
Giovanni partiu na minha cola.
- Beleza, em dupla é melhor para ciscar e tem o conforto da companhia em vôo.
Dito e feito, chegamos perto do pedágio e boom....., um canhão forte e redondo nos leva de volta à núvem.
Emburacados miramos o Campo dos Afonsos e o pouso por lá ou pelo outro lado da Av.Brasil, no campo de polo, já estava mais do que garantido.
Seguimos e só cidade em baixo .............. e nada de achar a seguinte.
Passamos por Bangú e nada.
- Acho que vamos merrecar por aqui, pensei.
Meu escudeiro vai mais para cima da cidade e eu mais para o gericinó.
Ele achou os pipocos de uma salvadora.
Juntamos e a térmica falhada corria de Nordeste.
Era derivar com ela ou procurar pouso.
Meu amigo não teve a paciência necessária, correu mais para a frente e garantiu o pouso no Aeroclube de Bangú.
Minha insistência me levou a engatar redondo em cima do pouso dele e pegar a condição da Serra do Vulcão por trás.
Segui subindo e derivando até quase o Pico do Marapicu.
Emburacado de novo, partir para dentro da região do vôo de N.Iguaçú.
Tomando como proa Japeri, onde as formações no caminho me mostravam vários cúmulus.
Ir para Seropédica também teria sido uma boa Opção.
Ali o vôo é tranquilo.
Grande pastos, áreas planas e térmicas redondas apesar de intensidade fraca e teimando em permacer em torno dos 1.200 a 1.300m o que é muito baixo para a região.
Mas, relaxei e procurei curtir o vôo e chegar na próxima, que estava perto da Via Dutra, depois de Queimados.
Engatei, subindo, falhado e decidi seguir para a próxima.
Boa decisão engatei melhor e núvem de novo.
Japeri cresceu na minha frente e parecia a melhor direção.
Passei pela cidade e corri para a região da rampa de lá.
Cheguei estava fraco e a minha altura era de quem tinha acabado de decolar e ganhado um pouco.
- É...., pensei, estou decolando de Japeri para fazer um vôo.
- São 13:00h e o meu vôo está começando agora.
- Vamos ficar na pedreira e esperar a condição chegar aqui.
Esperei a núvem chegar perto e engatei no canhão.
1.400m !
E agora a decisão: volto para N.Iguaçú que o caminho está bom ou tento seguir para o meio do nada nas montanhas ?
- Teto baixo....... e você já voou ali........ a região é só de morrinhos, florestas, rotor e cruel de pousos..............
- Volta que o vôo vai ser mais visual e mais tranquilo.
- Que nada, vamos lá que a formação tá bonita.
Engatado no teto passo de Japeri para Paracambi e parto na direção entre Barra do Piraí e Valença.
A coceira do Cross fala mais alto que a sensatez.
A faixa de vôo encolhe, o teto de 1.300 a 1.400m e o piso sobe pelo menos 600m, com morrinhos a 800m.
Sobram poucos metros para as tiradas.
Não podem ser longas, tenho que partir direto para a mais perto e engatar senão é chão.
Chapar no meio dos morrinhos do planalto de Paulo de Frontim não é nada agradável.
Com as pernas tremendo chego na próxima já naquela de olhar o melhor morrinho para chapar.
Mas, ufa, sinto a térmica cisalhada pipocar e engato derivando para sair da primeira roubada.
- Pronto a pior parte já passou.....
Olho para frente e que nada, teto baixo e mais morrinhos mas, pelo menos tem formações ao alcançe.
Cruzo para a serrinha e engato na condição de novo.
Agora outra decisão crucial.
O vento está acompanhando um pouco o relevo mais para Sudeste em baixo e mais Nordeste em cima.
Sigo no Nordeste ?
Acho que não, a possibilidade de alcançar a próxima se mudar a rota uns 45º vai melhorar.
- É isso aí, tem umas formações lá na frente, depois do rio.
- E dá prá chegar lá.
Sai da linha de sustentação e para a cruzada só pego pequenos rotores e vento de través.
Cruzo o rio, chego no que parecia bom e a formação já tinha passado.
Corro a pequena cordilheira, olho para os pastos lá no final e ....
- Vamos é esticar o L/D para chegar no pasto perto da estrada.
Pri...Pri....
Sobe, desce, abre o cinto....
Calcula a aproximação para o pasto mais próximo.
- Mas, vamos insistir.
- Se não ganhar pouso aqui mesmo.
- Ando mais mas, vale a pena tentar.
- A falhada tá forte.
E, tchan, tchan, tchan....
Nasce o caroço.....
- Agora não largo ela mais mais.
- Fecha o cinto....
Derivo para dentro das montanhas mas subo com tudo...
- ÔOoooooba !!!
- Tô voltando pró vôo.
- E daqui prá frente tá formando um cloud street.
- Capricha, arredonda.
- Paciência, espera chegar na núvem.
- Que nada, ele tá logo ali no próximo contra-forte.
- Tirei....
- IIIIIIiiiiiii, acho que devia ter ficado mais, vou chegar lá no limite.
- Cheguei.
- Nãooooooo, ela não tá aqui.
- Tá lá no fundo daquele vale, sem pouso, só chapadas.
Na batida do vôo, de sangue quente, sigo em frente.
Chego no fundo do vale no limite da altura.
Não dá prá pular o morro.
Cisco e nada.
Porrada prá cá, porrada prá lá e .....
- Porra, seu babaca, você tá no pé do cloud street e jogou o vôo fora....
- Caral...o, endureceu e despencou da falhada.
- Qual o menos pior morrinho da rotorzeira deste valezinho estreito e safado ?
Tome porrada.....
- Contorna a pedra da direita, volta e pica para chapar de volta naquele meio pasto, pensei....
Fui e priii..iiiii...iiiii
-Voltaaaaaaaaa.
Priiii.iiiii..iiiii
- Enroscaaaaaaa..
- Força nos braços seus babaca.
- Beleza, engatei forte.
- Não relaxa não.....
- ah.ahah.ah..ah.aa.a.a....., lá vou eu de novo.
Começo a ganhar a serra e atrás do morro aparece a cidade de Valença.
- Ufa!!!!
- Aprendeu seu trouxa!
- A térmica tá boa mas o teto tá baixo.
- Tem que ganhar bem e tirar para a mais próxima com certeza de chegar.
- Ok, ok, ok....
- Relaxa, tô ganhadão e olha o cloud street na frente.
- Vamos lá que agora é só alegria.
Aí o vôo virou alegria um cloud que me fez andar bem, passar por Rio das Flores e continuar navegando pela pequena cordilheira abaixo.
Chego no final e parto para a esquerda para novas montanhas ou vou naquela lá na frente na curva do rio com a montanha do meio.
Vamos lá naquela que tem um pasto enorrrrrrmmeeee na beira do rio e um povoado do lado.
- Beleza, que visual ....
- Tô no meio do mundo, sozinho e estampadão no céu...........
Vou seguindo tranquilo, tranquilo e chego na formação na média altura e o vario começa a cantar de novo.
Arredondo.
Térmica suave e ...
- Rapaz agora que saí da roubada e que aparecem estes urubús para azarar a minha térmica.
- Sai daí neguinho.......
- É, tá bonito mas tá acabando.
- Olha o buraco azul prá frente.
- A próxima formação tá lá prá Juiz de Fora.
- Não dá prá chegar.
- Só se engatar naqueles pedrocos no meio do caminho.
- É, mas eles já estão esfarelados.
- Mas é o caminho mais seguro para este final de vôo.
- IIIIiiiii, não vai dar prá chegar encima deles.
- Vamos entrar pelo vale a dentro, ciscar lá e voltar para aqueles maravilhosos pastos lá no fundo...
No meio do vale aquela de final de tarde, fraca, suave e que também não rende muito.
Ganho o suficiente para olhar para o outro lado e penso vamos esticar por cima na direção daquela cidadezinha (Belmiro Braga).
Outra decisão meio tola.
Chego na montanha no limite.
Cruzo e caio no rotor.
Cruzo rente por umas florestinhas e quando de repente atrás do morro aparece, imaginem, um imenso campo de polo, isto mesmo, polo, todo plano com a grama recém aparada.
- Chega, é aqui mesmo.
Aproximo.
Entro picado e como ele estava no rotor, catabummm
Um sonoro chrash para encerrar a aventura.
O gerente da fazenda e dois ajudantes estavam ali e incrédulos não sabiam o que dizer ainda mais quando disse que vinha de São Conrado !
Fazenda Paraíso !
Para surpresa minha, de Armando Klabin, tio do nosso saudoso amigo Maurício Klabin.
Desmonto a asa e vamos prá cidade esperar o resgate que chega às 22:00h.
Antes ligo para os amigos e o alvoroço na praia e na internet vocês já sabem.
Brigaduuuuuu......
Geraldo Nobre

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Novo recorde Gaúcho de distância (322 Km)

André Wolf quebrou o recorde gaúcho novamente (o anterior já era dele).

Voou 322Km em linha reta, decolando de Igrejinha (próximo de Gramado RS) e pousou após Santa Maria.

Mais detalhes em http://www.asadeltars.com.br/noticias.php?id=4

sábado, 8 de dezembro de 2007

Resumo da palestra do Mike Barber, recordista mundial de distância livre

O americano Mike Barber é o humano que voou mais longe com uma asa-delta, decolando do Texas EUA e percorrendo em linha reta 707 Km em mais de 10h de vôo.

Ele gentilmente fez uma palestra para os cariocas na FGV-Barra no dia 29/nov/2007 e deu várias técnicas sobre como voar longe, como resistir ao cansaço, preparação etc.

Segue abaixo o resumo da palestra que foi traduzido pelo Glauco Cavalcanti e transcrito pelo Valença:



  • A Preparação é fundamental;
  • O vôo de longa distância é um jogo em que apostamos com a condição;
  • Às vezes o objetivo diverge do melhor trajeto, deve-se avaliar se o melhor é seguir para o objetivo ou voar na direção da melhor condição;
  • Encontraremos mais facilidades em sítio de vôo conhecido;
  • Escolher o dia certo e não voar na véspera ou no dia seguinte. Em cada 3 dias escolher 1 dia para voar;
  • Procurar trajetos retilíneos com alta pressão atmosférica;
  • Acreditar no dia em que você escolheu;
  • Evite ficar baixo em uma situação onde você tenha apenas um gatilho térmico e um pouso como opção. Seria como colocar todas as fichas em uma aposta "all-in-one". Esta estratégia é muito perigosa, porque pode colocar todo o seu vôo a perder;
  • Vôo-livre de longa distância é algo que se constrói térmica a térmica, quilometro a quilometro e por isso não podemos ser irresponsáveis em botar tudo a perder;
  • Avaliar o primeiro terço do vôo, se deve continuar ou pousar para se poupar para o próximo dia;
  • O resgate é muito importante, ele deve ter poder de decisão e ajudar na avaliação. Deve estar munido de GPS e um rádio com uma boa antena;
  • A comunicação é fundamental em vôos de XC;
  • Água e barrinhas de cereais com acesso durante o vôo, analgésico preso na barra;
  • Tomar um anti-inflamatório antes, durante e depois do vôo;
  • Estudar mapas detalhadamente;
  • Estudar a quilometragem das estradas e seus pontos de referência;
  • Avaliar se o melhor é pousar perto da estrada ou voar mais alguns poucos quilômetros;
  • Um rádio integrado com GPS pode facilitar o resgate;
  • O XC Ceará apresenta condições parecidas com as condições de deserto;
  • Usar pelos menos duas operadoras de celular;
  • Voar é maravilhoso, porém a estrutura que envolve o vôo deve ser lembrada nos mínimos detalhes;
  • Manter-se com raciocínio racional, evitar alegria em situações oportunas e tristeza em situações desconfortantes;
  • Em roubadas no deserto ou em regiões desérticas caminhe a noite e de dia mantenha-se na sombra;
  • Para evitar decisões erradas, não tenha medo de tomar decisões, tiradas ou pousos;
  • Evitar a busca da térmica perfeita;
  • Largar a térmica maravilhosa na hora certa e partir para o Cross;
  • O Ideal e ter várias opções de pousos;
  • Pensar no futuro, nas próximas decisões;
  • Se estiver com muita indecisão, pode abrir o cinto e pousar ou acreditar na condição e partir para o Cross;
  • Tenha confiança na próxima térmica, se o ‘zero a zero’ perdurar, partir para o Cross;
  • Nas tiradas mais longas usar ¾ do VG;
  • Beba muita água;
  • Urine em vôo;
  • As regulagens para Cross devem ser diferentes das regulagens para campeonatos;
  • Relaxe em vôo e regule a asa para ficar macia. Melhor maciez do que performance;
  • Devem-se avaliar os itens proporcionalmente: razão de subida x vento x altura de tirada x desempenho das últimas térmicas;
  • Quando você está alto, voe McCready (mais rápido e parando somente nas fortes);
  • Quando você está baixo, voe em "Speeds to Fly", ou seja, está subindo reduza velocidade para se manter na massa o maior tempo possível. Se está afundando, acelere para sair da massa descendente rapidamente.


Seguem os links do Youtube com a gravação da palestra (agradecimento ao Mathias Fulda que gravou e editou):

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 1

http://br.youtube.com/watch?v=30Z5ObCJRN4

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 2

http://br.youtube.com/watch?v=Jhl1zOTYXmk

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 3

http://br.youtube.com/watch?v=rNvSKPRgdp0

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 4

http://br.youtube.com/watch?v=HIYGh0aS7-A

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 5

http://br.youtube.com/watch?v=BQqDdG_2qb0

Mike Barber e Vôos de Recorde - Parte 6 (Final)

http://br.youtube.com/watch?v=uPEtxp7jUo0



Complemento:
O Fabinho Nunes (e eu concordo), diz que se você está muito baixo e tem pouso, coloque contra o vento, pois aumentam as chances de você "bater" em uma termal.

Sobre os dados que o Mike Barber usa na configuração de sua curva "Polar" em seus instrumentos, ele não abriu o jogo, mas para quem quiser ver os parâmetros que nós utilizamos em nossas WillsWing T2, clique aqui. Importante: Cada piloto e seu conjunto (asa, regulagens, casulo, peso, postura) tem uma polar diferente. Calcule a sua para usar os parâmetros corretos.

Ele também deu uma dica de como enroscar nas térmicas sem fazer força e sem cansar. Veja esta dica por completo!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Recorde mundial de parapente ontem (461Km)

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3 brasileiros, voando parapentes brasileiros e em pelo sertão brasileiro estabeleceram ontem (14/nov/2007) o novo recorde mundial de distância, com um voo de 461Km em linha reta.

Frank Brown, Cecéu e Saladini, decolaram de Quixadá no Ceará às 7:20h da manhã e após 10h de vôo pousaram no Maranhão juntos.

Clique e veja "tracklog" do vôo gerado pelo GPS

Ambos integram a equipe da fabricante brasileira de parapente (Sol Paragliders) localizada em Jaraguá do Sul (SC).

Parabéns para esse time e agora o recorde de distancia livre de parapente passa a ser maior do que o da asa-delta (no Brasil).

O recorde mundial de asa-delta ainda permanece em 700,6 Km, obtido pelo Austríaco Manfred Ruhmer no Texas EUA.

A esperança é que ainda este ano ou ano que vem um time de feras da asa-delta conquiste no Nordeste brasileiro um recorde superior a 600Km e, quem sabe, mais de 700Km.

Já confirmamos nossa vaga para a temporada do ano que vem, nem que seja para ver de perto este recorde ser batido pelos "profissionais".

Quixadá (CE) e Patú no Rio Grande do Norte são realmente lugares fantásticos para os vôos de distancia, principalmente pelos ventos fortes, térmicas fortes e a possibilidade de se voar mais de 10h.

Nossos 2 ultimos voos na regiao foram de 200Km de distancia com media de velocidade superior a 57Km/h, o que dá para imaginar a possibilidade de mais de 570km de voo se decolar cedo mantendo-se em voo por mais de 10h.

Mais detalhes e relatos sobre o recorde

Novo Recorde Brasileiro de Asa-Delta (452Km)


O atual campeão brasileiro de asa-delta, o gaúcho André Wolf, quebrou o recorde brasileiro de distância livre de asa-delta decolando de Quixada (Ceara) alguns dias atras, em seu primeiro dia de voo no local.

O recorde anterior era do brasiliense "Fernando DF" com 437Km, tambem decolando de Quixadá CE.

André ainda está pelo nordeste e tentará quebrar novamente o recorde nesta temporada.

Nesta época do ano toda a região fica com ventos alíseos predominantemente de Leste (ventando do leste para o oeste), o que favorece o voo no sentido oeste do Brasil. Geralmente o pouso ocorre no Maranhao, após cruzar todo o Ceará e o Piauí pelo sertão em voos de mais de 7h de duração, podendo passar de 10h de voo.